Quinta-feira, Julho 12

R.E.M.

Era um sonho estranho em que, basicamente, a terra se enchia ou vazava e não as marés; os rios punham-se, para lá das pontes, em vez do sol; e, aqui e ali, mergulhávamos na chuva para bater recordes de apneia à superfície e termos qualquer coisa com que nos impressionar um ao outro.
A METÁFORA ENFRENTA PROBLEMAS INESPERADOS

Dizer que a conhecia de trás para a frente não era, necessariamente, uma ordinarice.
EUFEMISMOS TECNOLÓGICOS

As medidas dela? 16:9.
ROMANCE NIILISTA

Temos a relação mais estável de todos os nossos amigos - há anos que conseguimos não ter rigorosamente nada um com o outro.
PRINCÍPIO DE GUIÃO PARA UM SCI-FI LOW-BUDGET

- o que é que vai ser hoje, senhor?
- um pouco de futuro, por favor.
- futuro já não temos.

Quarta-feira, Julho 11

O BOATO ficaria profundamente aborrecido se você não fosse



Amanhã, a partir das 23h, estaremos no Frágil para lhe dar música.
Special guests stars: a Wasted, a Mafalda, o Nuno e o Pedro.
Be there.

Terça-feira, Julho 10

No fundo, no fundo, a vida ainda está zero a zero.
título: IMPRESSÃO PROVAVELMENTE ERRADA, MAS QUE, DE REPENTE, SOOU BASTANTE LÚCIDA
O toque nokia de sms a meio da noite.

título: A TECNOLOGIA AO SERVIÇO DO AMOR-PRÓPRIO
Segundo ela, uma crítica literária completa deveria incluir tudo aquilo em que pensamos quando nos distraímos da leitura.
[título do post: McEWAN E O BACALHAU DE MOLHO ] - isto não é nenhum experimentalismo formal pretensioso; o blogger é que não está, saberá Deus porquê, a permitir que se escreva na caixa do título

Quarta-feira, Julho 4

a vida humana e respectivos credores

Não me preocupa tanto que haja Deus e, havendo, um dia, queira fazer um juízo final; o que me aflige mesmo é que o acaso decida, algures, cobrar tudo quanto lhe devo.

agora, do ponto de vista das águas

Faltam, à entrada dos continentes, caminhantes-salvadores.

Terça-feira, Julho 3

coisas felizmente impossíveis de fotografar

O nascer-do-dia em ti.

vítimas

Via-se como um estropiado da guerra fria. Não estava, pois, preparado para qualquer manifestação de amor, ódio, qualquer coisa que obrigasse, enfim, ao calor da sinceridade.

visão do geek acerca do seu divórcio e da consequente partilha de bens

Dado que houve um tempo em que a compreendia inteiramente e outro em que a comunicação se tornou impossível, concluiu que se esquecera do pin dela. Após algumas tentativas, a esposa fechara-se definitivamente, ficando-lhe - num sentido não tão metafórico quanto isso - com o cartão.

Segunda-feira, Julho 2

(falta algum texto)

brutal e desastrada, como todas as paixões

o estado do tempo (agora, do lado de dentro)

Parece que estamos à espera que páre de chover nas nossas vidas para começar a pôr em prática aquela série de decisões.

inspirado no modelo das despedidas de solteiro

Decidiu criar o até sempre, marido enganado.

o pior não será amanhã

Mas o dia mais ou menos seguinte.

Sexta-feira, Junho 29

o palácio da rainha mais ou menos

Não era verdade que fosse uma pessoa complicada. Tinha, talvez, um cérebro que era uma espécie de disneylândia para psiquiatras.

Quinta-feira, Junho 28

biblioteca dermo-estética

Não enchera a casa de livros porque os tencionasse ler ou fosse culto ou para impressionar visitas. Queria apenas aprender a envelhecer. E não havia no mundo criatura a fazê-lo com mais estilo que aquelas folhas de papel agrupadas, a escurecer à velocidade dos dias e a desvanecer-se nos cantos como quem decide ir deixando de existir sem ninguém saber.

ela, mas em música de fundo

Não era que achasse que ela falava demais. Não era isso. Explicara apenas que seria interessante conhecer uma versão instrumental dela.

tratado de tordesilhas dela

Ele ficava com a parte de fora; ela com a de dentro.

Segunda-feira, Junho 25

agora, coisas sérias

Há quanto tempo não ris até te doerem os maxilares?

a violação da privacidade da voz dum célebre boneco de animação

Passar despercebida na rua era fácil; o problema era quando tinha de ligar para algum lado.

duchamp-aux-posts

abaixo da língua d' einstein havia um perna-de-pau

as relações, agora do ponto de vista do simão sabrosa

Eu sou teu desde pequenino. Sempre quis vestir a tua camisola. É uma grande honra estar aqui e só admito sair por uma proposta muito boa duma pessoa grande, uma das três grandes. Ou então do estrangeiro. Se for bom para todas as partes, claro.

a imagem bizarra que não lhe saía da cabeça

A deriva dos incontinentes.

Quarta-feira, Junho 20

apontamento a propósito da velocidade do som

É uma coisa curiosa que uma pessoa silenciosa se torne para nós tão viciante como uma grande canção.

a/c sr. morris

Poder-se-á um dia dizer de Lucky Luke que se tornou uma sombra de si mesmo? Ou, em qualquer dos casos, uma sombra mais rápida que si mesmo?

dar&receber c/o import/export

Em ocasiões repetidas, reagimos com sentimentos de circunstância. Estão ali preparados há anos, testados e aperfeiçoados com diferentes cobaias, para que nunca sejamos apanhados desprevenidos, arriscando a deselegância de nada ter para dar.

Terça-feira, Junho 19

que é o medo?

Qualquer coisa como o colesterol do intelecto. Excesso de actividade pensante. Um inconsciente, mais que não pensar, não teme. No caso do consciente, a pergunta que se deve pôr é: será que a coisa vai lá com uma lipo?

optimismos sobre: a multa

Finalmente, qualquer coisa em seu nome.

sonho para um musical

Uma série de cínicos, de plumas e lantejoulas.

as actas do apóstolo

Não compreendia porque o chamavam de burocrata. Os tipos desenvoltos nas one-liners eram génios, dominavam os salões, blábláblá, e ele, um corredor de fundo, com controlo perfeito das twenty-five-liners, em papel azul e timbrado, a ser tido como um chato.
Vá lá uma pessoa entender as pessoas.

Segunda-feira, Junho 18

like a (wo)man

Dos livros de auto-ajuda e artigos de revista, às cançõezinhas de esperança e palavras de circunstância, de há muito para cá que demasiada gente se tenta intrometer entre nós e uma das poucas verdades do mundo: o direito de sofrer. Sofrer como deve ser. Sozinho, sem atalhos nem conselhos nem truques. Como um homem. Ou uma mulher.

costumes

Também as discotecas roubaram ideias à religião. A questão de ser-se ou não cliente da casa, por exemplo, foi sempre o factor decisivo para se entrar no Céu ou ficar pendurado à porta.

ponhamos assim a questão

O que é que queres deixar de ser quando fores grande?

Sexta-feira, Junho 15

fazemos deuses para fora

O take-away é um conceito originalmente religioso. Raramente se consumiu Deus apenas no interior das igrejas.

o que importa é fazer passar a mensagem

Testamento blue label, testamento red label.

Quinta-feira, Junho 14

reorganização na nomenclatura conjugal

Por uma questão de clareza do organograma, não apreciava o termo impreciso "amante". Preferia chamá-la vice-amor.

os santos

Para concorrer com a festa popular, queria organizar uns outros "santos". Encher as ruas a propósito de St. Anselmo, St. Agostinho e S. Tomás. Oferecer farturas na compra de uma Suma Teológica. Haver bailaricos à volta das Confissões.

rara conversa entre criações dum grande estilista

Que horror! Estás a vestir a mesma pessoa de ontem!

as relações, agora do ponto de vista da telepizza

Para simplificar, o seu género de homem era o quatro estações.

a edp e os aumentos metafísicos

Os crepúsculos foram apenas a forma elegante de o Céu cortar nas despesas.

Quarta-feira, Junho 6

columbofilia (género masculino)

Os pássaros comentavam as asas espantosas da pássara. Nada do outro mundo de corpo, mas umas asas. Era toda asas. "The", "thee" asas. Que asas.

no primeiro mergulho do ano

Parece sempre que escapámos sem ninguém ver.
E escapámos.

no primeiro mergulho do ano

Regressa o impulso de aproveitar o balanço e deixar a costa, o continente, a terra. Ao diabo o Colombo e as coisas redondas. (regressamos ao problema da bola de futebol e dos miúdos que a jogam, sempre com a mesma idade, ano após ano)

no primeiro mergulho do ano

E ao vir à superfície, estão sempre as mesmas vozes a gritar palavras soltas à volta de um jogo de bola que decorre na areia próxima. Quando olhamos, os corpos são também, ainda, os mesmos. Mas aquela meia-dúzia de miúdos de 15 anos já deve ter, hoje, mais coisa, menos coisa, 37. (foi este meu golpe de vista que me envergonhou diante de todos os professores de matemática. E alguns de educação física)

no primeiro mergulho do ano

Regressa, de pronto, a estranha certeza (ainda assim, uma certeza) de sempre termos sido do mesmo tamanho, de este de agora, este de sempre.